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QUINTA-FEIRA — CADERNO MERCADO

O mercado bateu recorde. Seu cachê sentiu isso?

Os números do setor de eventos nunca foram tão bons no Brasil, mas o crescimento não chega igual para todo mundo que vive de tocar.

Por Redação Maestro · 17 de setembro de 2026 · Foto: acervo Maestro

Capa da matéria O mercado bateu recorde. Seu cachê sentiu isso?
O mercado bateu recorde. Seu cachê sentiu isso?

Nos dois primeiros meses de 2026, o setor de eventos no Brasil movimentou R$ 25,33 bilhões — o maior valor da série histórica acompanhada pela ABRAPE, a associação que reúne o setor, desde 2019. O emprego formal na área cresceu 84,5% em relação ao período pré-pandemia, chegando a mais de 205 mil vagas registradas, e o ecossistema ao redor — turismo, alimentação, infraestrutura — soma hoje mais de 4 milhões de postos de trabalho. São números de um setor em expansão real, não de otimismo de press release. E, ainda assim, é bem provável que boa parte de quem toca profissionalmente no Brasil esteja lendo essa notícia sem sentir que ela tem relação nenhuma com a própria vida financeira.

Essa desconexão não é imaginação. Carolina de Amar, à frente do Festival Sarará, resumiu bem o problema numa entrevista recente sobre os desafios do setor: existe uma distância estrutural entre o que se cobra por apresentações e o que o público consegue de fato pagar por ingresso, e essa distância está deixando o modelo insustentável no médio prazo. Ou seja: o dinheiro está entrando no sistema — mais eventos, mais empregos, mais movimentação — mas ele não está necessariamente entrando de forma equilibrada nos bolsos de quem sobe no palco. Custos de produção sobem, prazos de venda de ingresso encolhem, e o cachê nem sempre acompanha a curva de crescimento que os números macro sugerem.

Isso tem uma explicação simples, embora pouco confortável: crescimento de mercado não é a mesma coisa que crescimento de renda individual. Um setor pode bater recorde de faturamento porque mais empresas estão entrando, mais eventos estão sendo criados, mais dinheiro corporativo está circulando — e, ao mesmo tempo, a fatia que sobra para cada músico continuar exatamente do mesmo tamanho, ou até menor, se a oferta de artistas crescer mais rápido que a demanda por eles especificamente. O bolo cresce, mas o número de pessoas dividindo o bolo também cresce, e ninguém garante que a sua fatia acompanhe.

O que isso muda na prática é a pergunta que vale a pena fazer. Não é "o mercado está bom?" — porque, pelos números, está. É "eu estou posicionado dentro desse mercado de um jeito que capture parte desse crescimento, ou estou só observando de fora enquanto ele acontece ao redor?". Isso passa por coisas concretas: que tipo de evento você está buscando, se está mirando só no público final ou também nesse fluxo corporativo que está inflando os números, se está cobrando de forma alinhada com o que o mercado está de fato pagando ou ainda ancorado em referências de anos atrás.

E passa, também, por algo mais simples do que parece: manter contato com quem já te contratou. Num mercado que está crescendo tanto em volume, o cliente que já disse sim uma vez — e que talvez tenha esquecido de você entre um evento e outro — vale mais do que um nome novo e frio numa lista. É esse tipo de gestão de relacionamento, focada em reativar quem já confiou no seu trabalho, que o Maestro está construindo como parte do pilar Mercado do Índice TRÍADE: um jeito de garantir que o crescimento do setor não passe batido pela sua carreira.

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