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QUARTA-FEIRA — CADERNO GESTÃO

O instrumento é o negócio inteiro

Para quem vive de tocar, o instrumento não é só afeto — é ferramenta de trabalho, e proteger essa ferramenta é decisão financeira, não luxo.

Por Redação Maestro · 23 de setembro de 2026 · Foto: acervo Maestro

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O instrumento é o negócio inteiro

Existe uma cena que se repete de formas diferentes na vida de quase todo músico profissional: o violão que cai do suporte durante a montagem, o teclado que fica esquecido no porta-malas na hora errada, a bateria que é roubada de dentro do carro estacionado na porta do bar onde ia tocar em vinte minutos. São histórias contadas quase sempre com um misto de humor e trauma, porque no fundo cada uma delas representa a mesma coisa: uma ferramenta de trabalho que sumiu ou quebrou, levando junto uma fatia do que sustenta a renda daquele mês, daquele trimestre, às vezes de um ano inteiro de shows perdidos enquanto o instrumento não é substituído.

O mercado de seguros brasileiro já reconhece esse nicho, ainda que de forma discreta. Existem hoje produtos específicos para instrumentos musicais, com parcerias entre corretoras especializadas e seguradoras de peso — cobrindo desde violões e teclados até saxofones, acordeões e instrumentos de percussão, contra três tipos principais de risco: furto simples, roubo qualificado com violência ou destruição de obstáculo, e quebra acidental, aquele tombo bobo que destrói um instrumento de uma vida inteira em segundos. A cobertura costuma vir com franquia — geralmente entre 10% e 25% do valor do sinistro, descontada da indenização —, exige nota fiscal de compra como prova de propriedade, e em muitos casos começa a valer imediatamente após o primeiro pagamento, sem carência.

O raciocínio que trava a maioria dos músicos diante desse tipo de proteção é sempre o mesmo: "isso é gasto, não investimento". Mas vale inverter a pergunta. Quanto custaria, em cachês perdidos, ficar um mês sem o instrumento principal enquanto se junta dinheiro para comprar outro à vista? Para quem depende daquele violão, daquele teclado ou daquele contrabaixo específico para tocar amanhã, o cálculo muda de figura: o prêmio mensal do seguro deixa de ser custo e passa a ser parte do custo operacional da profissão, do mesmo jeito que um motorista de aplicativo trata o seguro do carro como parte inegociável da conta, não como extra.

Isso é ainda mais verdade para quem investiu recentemente em um upgrade de equipamento — trocou o instrumento de estudante pelo profissional, comprou a interface de áudio boa, o microfone que finalmente grava sem ruído. Justamente porque esse tipo de compra costuma ser fruto de meses de planejamento e economia, faz sentido que a proteção dela também entre no planejamento, e não fique para depois, como sempre fica, até o dia em que "depois" já é tarde demais.

É por isso que pensar em seguro de instrumento não deveria ser uma decisão isolada, tomada em pânico depois de um susto, mas parte do mesmo processo que leva à compra do equipamento em primeiro lugar — que preço cabe no orçamento, que impacto isso tem no fluxo de caixa dos próximos meses, e que proteção faz sentido dado o uso real daquele instrumento na rotina de trabalho. É exatamente esse tipo de planejamento que a aba de metas de equipamento do Maestro ajuda a organizar: em vez de mirar a compra pelo mês mais gordo da agenda, ela projeta o investimento com base no padrão real de renda do músico — e é nesse mesmo raciocínio, de tratar o instrumento como o patrimônio de trabalho que ele é, que decisões como contratar um seguro deixam de parecer paranoia e passam a parecer, simplesmente, cuidado profissional.

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